Fernanda França


Quando era criança, sempre que queriam me arrumar namorados, ou especular casamentos, eu sempre dizia que iria ser solteira “igual à tia Maria”. Mas, quem me dera ter um coração auto-suficiente e moderado, ou até mesmo, aqueles que aprendem com as pancadas da vida...
Nada disso. Possuo (ou sou possuída) daquele tipo de coração meio burro, meio teimoso e completamente seqüelado (sei que não se usa mais o trema, mas acho-o charmoso demais para ser banido da minha escrita). Desses, que penso não serem muito raros, que desde o primeiro momento em que experimentam a paixão, enlouquecem e ficam viciados a nunca mais querer viver sem ela. Assim, vivem apaixonados. Não é exagero! (apesar de o exagero ser componente fundamental dos corações apaixonados).
Desde então, em vários momentos perco completamente o controle sobre este coração, e sou levada a fazer coisas das quais jamais imaginaria, e algumas das quais não aprovo. Ele no controle, já se apaixonou diversas vezes, e em algumas a paixão se desfez na mesma velocidade em que se realizou, já teve duas paixões, inventou paixões, seguiu paixões em forma de idéias, já matou paixões e as fez renascer. 
Mas tudo isso não quer dizer nada... Afinal, quantos corações não agem desse jeito? -Todos os inconseqüentes, insistentes em se fazerem vivos e não se deixarem dominados. Talvez por serem assim inconstantes deveriam se fazer solitários. E eu possuindo um coração desse tipo cumpriria minha ilusão infantil. Eu nunca me casaria...
- Não quero me casar, não vou me casar, não gosto nem da idéia... (afirmação de quem conheceu muitos casamentos infelizes).
Mas quem disse que meu coração queria viver só... Sempre adorou companhia...
Quando pensei que já havia o visto fazer de tudo... Ele inventa de viver constantemente apaixonado pela mesma pessoa, ao longo dos anos sem interrupções.
É... Em coração não se manda, se vive.
2 Responses
  1. Que lindo Fê. É... talvez pelos mesmos motivos ou n, o meu coração de tigela também é um pouco parecido com o teu. E que bom que eleS não andam só, né?


  2. Fabiano Says:

    Já eu, quando era criança, achava quase impossível encontrar uma pessoa da qual eu gostasse e que, por sua vez, retribuisse o mesmo sentimento. Na minha cabeça infantil, essa reciprocidade era algo de difícil materialização.
    Por conta disso, achava que iria ficar só. Realmente, o coração parece ter vontade própria...
    E veja só como é a vida, hoje é muito comum os solteiros que são casados, né mesmo?
    Sobre o casamento eu tenho uma teoria, mas fica pra depois...