Fernanda França
Não.
Não vou escrever em meio a tanto silêncio.
Não vou me pronunciar em meio ao vazio dessa ausência.
Não adianta atiçar meu coração leviano.
Não escreverei uma só palavra.
Não falarei mais de saudade, nem tão pouco de mais amor.
Não falarei das noites, nem da semana inteira, seja ela terça, quarta ou quinta... Eu não falarei.
Também não falarei do quanto gosto da palavra "coração", nem o quanto virei devota do acaso.
Simplesmente, hoje, não escreverei nada.

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Fernanda França
Um dia frio... Olho pela janela do carro e vejo aquela casa velha de grandes janelas antigas, penso em quem deveria tê-las aberto. Possivelmente ali deveria morar uma senhorinha já idosa e sem muitas forças que pediria a seu neto para abri-las e ele a teria feito gentilmente para poder ver a chuva que passava por lá. Sairia um sorriso do seu rosto? Algo difícil de saber, ele poderia ser econômico nos sorrisos, ou poderia esta feliz em ver aquele velho quadro de lembranças suavizado pelos respingos da chuva.
Olho para a calçada da casa vizinha e vejo flores brancas e rosas forrarem o chão, derrubadas por essa chuva displicentes que passava, formando uma paisagem de contos infantis. Toda a cena perece querer me fazer lembrar que deveria parar por ali, deixar-me ficar... Sentir os perfumes e sonhar. 
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Fernanda França


 Tem noites em que você vem perturbar meu sono, sendo este o teu reino, o meu sonhar, só me resta aceitar e aproveitar as sensações boas que só você consegue me fazer sentir.
  No sonho desta noite você estava tão perto que quase conseguia tocá-lo, consegui ouvir a sonoridade da tua fala e sorrir o teu sorriso. 
     Neste sonho, tudo parecia um filme em branco e preto, bem ao seu estilo. Claro que só podia ser você o dono desta aquarela monocromática que ajuda o tempo do seu reino parecer não passar. E assim você faz os atores ocuparem sempre o mesmo papel, o meu nesta trama tem sido, como de costume, esperar pelo próximo sonhar. 
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Fernanda França
          Os velhos sonhos nunca  me abandonam. Pensando sobre as loucuras que povoam meu coração, cheguei a conclusão que nunca disse um "eu te amo" que não valesse a pena, não lembro de tê-la pronunciado sem paixão, ou sem verdade. Mas, por favor, não venha querer mensurar meus sentimentos, medi-los, pesá-los, quantificá-los, e me dizer o quanto pensa ser verdade, ou não. Eu, simplesmente, sinto (eis um dos meus verbos preferidos. E o seu, não?).
Também não faço ideia o quanto é certo o que sinto, pois a minha moral é imoral e a minha verdade é a paixão (pulsão), algo que me leva e me guia, sem saber ao certo o que acontecerá ao final. Aposto no inapropriado, valorizo as fantasias. 
           Eu me chamo Delírio, e  é um prazer ter você aparecendo por aqui.
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Fernanda França
É... a vida tem dessas coisas...
Sinto saudade de todas as folhas que vejo se despedir com leveza das árvores, mesmo nunca sabendo ao certo o quanto elas queriam ficar, ou se preferiam partir.
Sinto muito por àqueles que tenham perdido a coragem no momento do pulo, porque eu já me joguei daquele terraço do Palace Hotel, que até hoje não fui. Sei que no "quinto andar" deste prédio, ainda há um hóspede insistente que nunca foi embora. (E nem sei se um dia irá)
Esta semana visitei os mortos que, embora esquecidos, permanecem vivos.
E sinto que hoje já não sou mais uma. 
Mas, "dois".


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Fernanda França

Disritmia era como poderia ser intitulada a semana que se passou.
Ela para e pensa, tentando entender tudo o que acontecera.
Respira.
Tenta.
Não pira.
Se inspira.
 E volta a disritmia a prevalecer sobre ela.
Seus sonhos ela já desconfia que não lhes pertencem mais, apenas reza baixinho e em segredo para que ninguém os descubra. A cada noite eles se manifestam mais fortes e novamente ela acorda com aquela disritmia que lhe tira o fôlego, e a faz temer que alguém possa tê-los visto fugindo pela janela.
Pela manhã, ela, novamente, respira, e não pira. Sufoca em silêncio tudo o que parece explodir. Seu sangue jorra com velocidade, fruto de pequenos deslizes de uma ansiedade que não para.
O esforço continua...
Tenta se acalmar, afugentar os devaneios e se manter no caminho programado.
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Fernanda França

Tá rosa de quente
Tá branca a solidão.

Azul multidão,
Sussurra em um grito:
Tá frio que queima
Tá sem emoção.

É clara a ilusão
Que a cidade alerta:
Tá nuvem de asfalto
Riacho de pedra.

Sem muita paixão
Esvaem-se os dias

Finda-se julho 
Sem mais fantasias.
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